Saúde fiscal de cidades do CE melhora, mas 55% enfrentam problemas
Mumbai
Ahmedabad
Diante do crescimento das
transferências constitucionais e do aumento da arrecadação de impostos ao longo
de 2019, os municípios cearenses deverão fechar o ano em melhores condições
fiscais do que em 2018. Segundo um levantamento realizado pela Associação dos
Municípios do Estado do Ceará (Aprece), hoje, 81 dos 184 municípios do Estado
têm capacidade de honrar gastos com folha de pagamento, enquanto no fim do ano
passado apenas 63 prefeituras tinham essa condição. Mesmo assim, mais da metade
dos municípios do Estado ainda está com as contas em apuros.
"Houve uma ligeira
melhora em relação ao ano passado quanto à solvência fiscal para o pagamento de
folha e do décimo terceiro. Há menos municípios com dificuldades de honrar a
folha", diz André Carvalho, consultor econômico financeiro da Aprece.
"No ano passado, apenas 35% dos municípios cearenses tinham gastos com
pessoal abaixo do limite prudencial, neste ano esse índice aumentou para
45%".
De acordo com a Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF), os gastos dos municípios com folha de pagamento
não podem ultrapassar a marca de 51,3% da Receita Corrente Líquida (RCL), sob
pena de deixar de receber transferências e de contratar operações de crédito,
por exemplo. Segundo Carvalho, a melhora neste ano se deve ao aumento de
repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e de ICMS.
Repasses
"Em 2019, a gente espera
um crescimento de 8% do FPM em relação a 2018, e as receitas do Fundeb têm
crescido mais do que o previsto", diz Carvalho. "O ICMS, que figura
entre as quatro principais receitas dos municípios, também cresceu. Então,
diante do quadro atual, que ainda está longe do ideal, podemos considerar que
houve um bom crescimento. De modo geral, as receitas estão crescendo acima dos
indexadores de despesa".
Segundo dados da Confederação
Nacional de Municípios (CNM), os repasses para o Ceará de janeiro a novembro
deste ano cresceram 6,1%, considerando FPM, Fundeb e outras transferências. No
período, o Estado recebeu R$ 8,985 bilhões, o que corresponde a 13% dos repasses
recebidos pelo Nordeste e 3,6% do total no País. Embora tenha recebido o
terceiro maior volume de recursos do Nordeste em valores absolutos, atrás
apenas dos estados da Bahia e do Maranhão, o Ceará recebeu o segundo menor
valor per capita (R$ 1.002), atrás apenas de Pernambuco (R$ 859).
Recuperação
Após atingir o pior momento
nos últimos quatro anos em 2017, quando 70% dos municípios cearenses estavam
com a folha de pagamento atrasada, a situação fiscal das prefeituras vem
melhorando desde 2018. "Em 2017, tivemos um ano muito complicado em termos
de receitas, principalmente em relação ao FPM e ao Fundeb, que são as mais
importantes e registraram queda nominal, enquanto as despesas sempre aumentam,
pelo menos no nível da inflação", aponta. "No ano passado, os
indicadores de despesas cresceram no nível das receitas, dando um alívio aos
gestores, já que o desequilíbrio parou de se agravar".
Um estudo feito pela Aprece em
2018 mostrou que em 174 municípios, com exceção dos 10 maiores, a folha de
pagamento dos professores correspondia a 110% do Fundeb, necessitando de verba
municipal para fechar as contas e comprometendo investimentos em outras áreas.
"Neste ano, tivemos um
reajuste de 4,1% para os professores, percentual inferior ao comportamento das
receitas, o que é uma raridade, considerando os últimos anos", diz
Carvalho. "Acredito que os municípios tendem a ter, neste ano, um
comportamento um pouco melhor do que em 2018. Mas não dá para falar que está
tranquilo".
Diário
do Nordeste
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Ceará